“o bom jogador não é aquele que torna o movimento mais impressionante numa coisa simples, mas aquele que torna uma coisa simples num movimento impressionante”





sábado, 12 de junho de 2010

VELOCIDADE NO FUTEBOL

CORRER BEM...DEPRESSA E BEM...


Depois de uma saudável discussão, com um amigo treinador, sobre métodos de trabalho na vertente ligada ao trabalho de resistência anaeróbia láctica e resistência anaeróbia aláctica, com bola ou sem bola, ficou no ar uma outra discussão sobre: velocidade… com e sem bola…
Prometi a esse amigo que iria escrever aqui algo sobre esse tema. Noutra oportunidade, voltarei aqui (ou em “Rendimento Desportivo”) para escrever sobre o tema anterior.
Obviamente que nenhum destes temas se esgota numa só página ou artigo. Tanto mais que existem duas grandes posições/correntes de opinião intimamente ligadas, uma à periodização táctica e outra à periodização convencional.
QUE SE DEBATA (saudavelmente)…
A velocidade nasce com o individuo e a sua técnica trabalha-se. Um jogador rápido que não perceba como se deve fazer a ligação dessa característica com o jogo, é um jogador pouco útil. Facilmente pode ser anulado por um adversário que seja mais inteligente (sem grandes níveis de exigência) na aplicação dos princípios de jogo defensivo (contenção/cobertura/equilíbrio/concentração).
A velocidade no futebol está para lá da sua acção pura e simples - como é entendida -.
A velocidade no futebol está relacionada com a bola, com a percepção e entendimento dos espaços, combinação/relação com os outros colegas e mudanças de ritmo. No futebol é preciso dar uma objectividade e precisão específicas à velocidade. Isto requer trabalho tal como qualquer outra técnica. Este trabalho deve vir desde a formação até à idade adulta.
Saber até que ponto pode um jogador melhorar as suas capacidades técnicas é algo que dificilmente se pode definir com exactidão. Os prazos na idade são sempre discutíveis. Sustento esta opinião sugerindo uma consulta a casos de jogadores que evoluem para lá dos “vinte e tal“… Por exemplo, o Cristiano Ronaldo, continua a evoluir e a “refinar“! E certamente haverá outros.
Há jogadores fabulosos em idades muitos baixas, jogadores de 18/19/20 anos que já são decisivos nos seus clubes. Mas, como todos, precisam de melhorar, trabalhar ou lapidar a velocidade e a técnica inerente (tal como as outras técnicas). Isto pode acontecer até perto dos 30 anos (embora não seja uma opinião consensual). É claro que os melhores são aqueles que mais cedo atingem as suas capacidades máximas (e será isto mensurável com rigor? Será que o “pedaço insondável” que está guardado no cérebro de cada um não alteraria os dados?).
Será a maturidade no futebol atingida aos 25 anos? Esta é a idade que muitos defendem como a aquela em que acaba a formação. Dizem ser a partir daí que se deve saber explorar os pontos fortes e defender-se dos defeitos. Mas se ainda aqui houver um desfasamento entre a idade biológica e idade cronológica, os dados são alterados.
Como treinador posso dizer que já assisti a grandes evoluções dentro desta área. E estou somente a falar de jogadores amadores. A evolução da velocidade técnica no futebol é algo que dá prazer a um treinador registar.
Antes de avançar para a parte conclusiva deste artigo, é tempo de deixar aqui o verdadeiro desafio que foi despoletado na discussão com o meu amigo. Como treinar a velocidade? Pode ser só treinada com movimentos específicos relacionados com o jogo? Será absolutamente necessário treinar assiduamente velocidade pura como um qualquer velocista de atletismo?
Podemos não estar de acordo com a forma de trabalhar de um ou de outro mas penso que estamos de acordo com as outras ideias base que aqui são transmitidas.
Eu, neste momento apenas trabalho a velocidade relacionada com o jogo (com o meu modelo) e tenho bons resultados. Mas, o meu amigo, também tem bons resultados e trabalha a velocidade de uma forma mais convencional…
E agora em direcção à conclusão:
Nenhum grande jogador constrói uma grande carreira só com instinto. E porque ninguém “remata sem pensar”, o segredo pode estar na velocidade da mente, na qualidade da movimentação a acompanhar a qualidade do pensamento. A velocidade de execução técnica é uma das armas dos melhores jogadores. Por esta razão defendo que as melhores prestações são aquelas que os jogadores têm, trabalhando na especificidade do desporto que praticam, dentro da estratégia delineada pelo treinador.
Pelas razões anteriores, defendo que quando se diz que não interessa correr muito, interessa correr melhor, devemos aqui incluir a velocidade. Pela mesma razão que nos diz ser esta também uma forma de correr.
Quando ensinamos um jogador a correr melhor, não temos aí também movimentações em velocidade e execuções técnicas velozes? A bola rola sempre mais rápido do que o jogador… então…
Voltamos sempre ao ponto de partida, não é?
Em definitivo, para mim é praticamente sempre, velocidade dentro dos exercícios do modelo de jogo adoptado.
Em jeito de nota final e falando apenas de situações ofensivas (para o comum adepto são as mais interessantes), a velocidade tem como desafio resolver problemas de espaço na frente de ataque. Os jogadores que se movem atrás e ao lado de um ponta de lança, também sentem isso. As movimentações de um avançado são decisivas para, principalmente, quando em posse de bola os médios/segundos avançados perceberem o jogo e entenderem os melhores caminhos a seguir e decisões a tomar em função do modelo que habitualmente trabalham.
Palavra global chave: trabalho.
As minhas palavras chave: trabalho em especificidade.


Artigo retirado de:

http://futebolmodelovitoria.blogspot.com/2008/03/velocidade-no-futebol.html

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